Free stall: dicas para manter o conforto dos animais

por | 12 mar, 2024 | Pecuária | 0 Comentários

A cadeia produtiva do leite é um setor de grande relevância econômica e social para o Brasil, que figura na terceira colocação como o maior produtor mundial de leite. Além disso, tem uma produção de 34 bilhões de litros anuais. Boa parte dessa produção ocorre em sistemas conhecidos como Free Stall.

Basicamente, a estrutura é bastante utilizada para o confinamento de rebanhos leiteiros. Principalmente pela capacidade de oferecer maior conforto às vacas leiteiras, estimulando-as a produzir mais.

Mas, mesmo neste sistema, adotar boas práticas de manejo é essencial. Elas visam garantir o bem-estar dos animais e, consequentemente, ganho de produtividade da atividade.

Neste artigo convidamos você a conhecer algumas dicas para manter o conforto animal em sistemas Free Stall. Continue lendo!

O que é o sistema Free Stall?

Sistema free stall

Em qualquer fazenda leiteira, o conforto animal é imprescindível para garantir a produtividades e a qualidade final do leite, como destacado neste artigo publicado no portal MilkPoint.

Assim, diante de margens de lucro cada dia mais apertadas, se preocupar com o bem-estar das vacas aumenta as chances de sucesso.

Por isso, o sistema free stall vem ganhando espaço entre os criadores de gado. Nesse sistema, há áreas com camas individuais para as vacas, normalmente de areia, assim como corredores de acesso e pistas de trato.

Para maior conforto, os animais ficam dentro de uma área coberta, onde podem caminhar livremente pelo galpão. Além disso, têm baias individuais dispostas lado a lado para que as vacas descansem.

Porém, para que o ambiente de criação proporcione o maior conforto possível para os animais é preciso saber investir, planejar e operar as instalações de maneira correta.

Pontos a serem considerados para o sucesso do Free Stall

O sistema possui uma série de vantagens que estimulam o investimento em fazendas leiteiras. Entre as principais vantagens destacam-se:

  • Controlar melhor as condições do ambiente, aumentar o conforto das vacas e evitar flutuações de produção entre inverno/verão;
  • Oferecer condições para um resfriamento mais adequado aos animais, especialmente devido ao uso de ventiladores e aspersores;
  • Facilitar o monitoramento sanitário e zootécnico do rebanho, como detecção de cios, acompanhamento pré e pós-parto, bem-estar animal, saúde do úbere etc.;
  • Otimizar o uso da dieta total;
  • Liberar espaço dentro da propriedade para outras estruturas, como um silo para silagem de milho ou de uma minifábrica de ração.

Mas o sucesso no uso do Free Stall, e a conquista destes muitos benefícios, depende de alguns pontos de grande relevância, como:

  1. Ter um projeto adequado às condições do terreno, às características do rebanho e ao capital disponível para investimento;
  2. Realizar um manejo diário de toda a estrutura, tanto de limpeza das camas, corredores, bebedouros e cochos, como também do manejo dos dejetos, ciclos de resfriamento, oferta de alimentos, entre outros;
  3. Priorizar as boas práticas, que garantam o bem-estar e o conforto das vacas. Assim, permitindo que elas produzam leite suficiente para gerar maior lucratividade ao sistema produtivo.

Boas práticas de manejo no Free Stall

Para garantir todos os benefícios proporcionados pelo sistema Free Stall, é necessário aplicar boas práticas de manejo. Veja quais são elas!

Espaço adequado

O cuidado com o espaço físico da estrutura é essencial para garantir o conforto das vacas. Para isso, as vacas devem conseguir caminhar livremente, se deitarem e espichar-se com facilidade nas baias.

Vale destacar que as vacas leiteiras descansam em torno de 10 a 14 horas por dia, como ressaltado neste trabalho, e ficam bastante tempo deitadas. Então, naturalmente, o conforto é imprescindível.

Além disso, as medidas ideias para cada uma das baias podem variar um pouco, mas são baseadas em: 

  • Dois metros e meio de comprimento;
  • Um metro e oitenta centímetros de altura.

Contudo, para maior assertividade quanto ao tamanho das baias, a recomendação é calcular as medidas corretas a partir da maior vaca do rebanho. Caso contrário, o espaço inadequado causará desconforto e facilitará com que os animais se machuquem.

Cama seca

A higiene do free stall é também primordial. A recomendação é limpar as fezes e a urina das camas todas as vezes que os animais forem para a ordenha, ou seja, 2 a 3 vezes por dia. Isso irá garantir um espaço limpo para descanso.

Caso o fazendeiro opte pelos materiais orgânicos, o cuidado com a umidade é fundamental. Ela não pode ser elevada, a fim de evitar a proliferação de bactérias indesejáveis.

Comedouros e bebedouros

As estruturas devem ser limpas com frequência. Também é recomendado que não fiquem expostas diretamente ao sol, pois essa ação pode limitar o consumo dos animais. 

Limpeza das dependências

A pista de passagem e as demais partes da instalação devem ser limpas com boa frequência. Dessa forma, a medida evita animais sujos

Consequentemente, evita a incidência de mastite, assim como o forte cheiro de esterco, o que pode concentrar gases tóxicos e causar problemas respiratórios, além de favorecer a alta concentração de moscas e doenças.

Baias com a cama cheia

Ao optar pelo uso da areia, recomenda-se abastecer as baias com frequência, mantendo sempre o mesmo volume da cama. Esse cuidado é essencial para evitar que as vacas se deitem no chão duro e muito úmido, reduzindo o conforto. 

Piso

O chão da estrutura tem que oferecer uma boa aderência às vacas, evitando escorregões e proporcionando maior segurança aos animais. O material do piso dentro do sistema free stall deve também ser resistente, durável e pouco áspero, com o intuito de não causar danos aos cascos das vacas.

Além destes pontos, há a recomendação da manutenção de todos os registros das práticas de manejo adotadas dentro do free stall, incluindo limpeza, alimentação/nutrição e manejos sanitários.

Com estes dados, será mais facilmente possível identificar quais são as áreas que carecem de melhorias, além de monitorar o progresso da atividade ao longo do tempo.

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